terça-feira, 5 de julho de 2011

Já passou um ano..

Deste lado do mar... as coisas mudaram... É verdade que levou quase um ano... mas mudaram...
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Mudou a situação mudei eu... Não mudou o passado que é imutavél, mas muda o presente com esperança de um futuro mais risonho...
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Mudou o apreço que sinto pelos que me querem bem, mudou a importância que decido dar a quem me quer mal...
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A cada dia "escrevo" um pouco mais daquilo que quero, a cada dia "apago" um pouco mais daquilo que não quero... Não quero o que já tive. Não mesmo. Quero melhor, mais bonito, mais forte... Quero simplesmente mais.
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Mudou o eu que via... a distância que o tempo nos dá mudou o a maneira como vejo as coisas...
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Não mudou no entanto o que sinto... o peso do vazio conscientemente provocado por mim no dia 01-04-2010. Não mudou muito a dor. Mas mudou a minha atitude perante ela...
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E desse lado do mar o que mudou?
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SBFR

terça-feira, 22 de junho de 2010

Auto-análise?

Deste lado do mar.... É tempo de auto-análise....
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Após algum tempo a ganhar coragem, continua a custar admitir certas coisas...
Por exemplo: eu nunca estou bem! Quando as coisas estão bem, mesmo bem durante muito tempo, começo a estranhar, acredito que mais cedo vão ficar mal e admito, começo a procurar os motivos para ficarem mal.. Realmente, sou aquele tipo de pessoa que não sabe estar bem...
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Sempre que estou bem fico com medo da "desgraça" que pode vir a caminho, por esse motivo começo eu a fazer por ficar menos bem, para depois não custar tanto.... Sou uma alminha parva mesmo... Diz que os doutores ajudam nestas coisas, mas caga lá nisso... Mais do que escrever sobre isto, custou-me assumi-lo pela primeira vez perante alguém... Assumi-o perante ti.
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Perante ti mostrei quem sou, despi-me de fachadas, ou seja o que for e mostrei-me... Não esperava que entendesses, nem eu me entendo... Mas se calhar esperei algo mais que esse "...pois... mudavas isso... ponderaste terapia?".... Quem me manda a mim esperar algo de qualquer ser humano humano...
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Sabes que foi uma grande luta para mim no dia em que foste embora e me disseste que eram uns meses, mas sem nunca dares uma data certa para o regresso... Mas mesmo assim fiquei disposta a esperar...
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Deste Lado do Mar, após uma auto-análise que em nada me favorece, decidiu-se esperar...
E desse Lado do Mar?

SBFR

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Porcupine Tree - Lazarus

Tempo de Reencontros

Deste lado do Mar é tempo de reencontros...
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Reencontro-me a mim, a quem sou, a quem gosto de ser e reencontro os outros.
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Impressionante como me esqueci de como gosto de estar com algumas pessoas. Permiti-me naufragar nesta solidão auto-imposta. Sentia-me bem assim. Sem sair de casa, sem falar com pessoas. Sentia-me bem assim. Mas esqueci-me de como gosto ainda mais de estar com algumas pessoas.
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Esqueci-me como gosto de me rir com S, com F com RP, com CA, com RB... Esqueci-me de uma parte tão importante da minha vida. E magoei uma data de gente com esta minha auto-imposta distância.
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É tempo de reencontros. Estou a reencontrar o meu sorriso. Dentro deste vazio ainda é possivel sorrir.
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E desse Lado do Mar? Quem reencontraste tu e não me contas?


SBFR

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Ignorar o Telemovel


Deste lado do Mar recuso-me a atender quando o telemóvel toca...
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Especialmente porque és tu quem aparece no visor, é o teu nome que eu leio...
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Mas parece que ele não vai parar de tocar....
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Está(s) nisto há horas....
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Podes até não fazer ideia, mas a minha recusa tem um motivo...
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Se bem que na realidade podia até não ter, que eu saiba ainda ninguém é obrigado a falar ao telemóvel...
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Deixa-me em paz, não consigo adormecer....
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E desse lado do Mar? Não percebeste que não vou atender?


SBFR

O despertar da consciência



Deste lado do Mar a consciência desperta... Hoje foi um daqueles dias...
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Uma pessoa acorda de manhã e sai para a sua vida. Na estrada cruza-se com inumeros veiculos, mas sem nunca reparar em rostos. No trabalho dizem-se os bons dias da praxe "olá tudo bem?" enquanto se anda e sem na realidade reparar bem com quem se fala... Hoje parece que não acordei para a vida. Passei o dia numa espécie de dormência, a fazer o que faço normalmente, mas hoje de uma forma mecânica. Fiz porque tinha que fazer. Falei porque tinha que falar. Hoje atendi o telefone exactamente 124 vezes ( o que diga-se de passagem, foi uma miséria). Em 124 chamadas fui mecânica. "então tudo bem? sim tudo e contigo?" Se me tentar lembrar de alguma conversa mais humana, não consigo.
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A S. disse que se calhar so daqui a uns meses é que iria cair a ficha e eu iria andar de mau humor e insuportável (mais que o costume) e nem me aperceberia porquê. É mentira. A ficha caiu. Apercebo-me disso todos os dias. Não é fácil.
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A K. disse para unca me culpar pelo que fiz. Não culpo. Culpo-me sim pela estupidez, pela falta de inteligência que me fez chegar ao ponto de ter que decidir fazer o que fiz. Culpo-me todos os dias. Não é fácil.
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O peso de uma decisão que nos cabe só a nós e de que demos conhecimento a duas pessoas neste mundo, nenhuma delas relacionadas com o assunto é avassalador. Falo com quem de direito todos os dias. Nunca disse nada. Não vou dizer. Não me arrependo disso. Mas sinto o peso do segredo todos os dias. Não é fácil.
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Passei por 8 horas de trabalho a sorrir, a falar, a trocar opiniões com os colegas. Mas não era eu. A mente pensava em tudo menos naquela sala, naquela tarefa. Eu estava em todo lado menos ali. Aguentei o sorriso durante 8 intermináveis horas. Não foi fácil.
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Ontem foi mais fácil.
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Será que amanhã será mais fácil? Espero que sim. Isto de ter consciência dá nisto. Entro numa espécie de vida mecanizada enquanto por dento me fragmento ao longo do dia, para depois ir voltando tudo ao lugar e quando finalmente parece estar tudo no sitio, o torpor exterior voltar e o desabamento interior recomeçar...
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E desse lado do Mar, sentes o peso do segredo?
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SBFR

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Incoerências

Deste lado do Mar o sol brilhou... E sinto que não devia....
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O sol brilhou, a vida continuou, o mundo não parou... Certas coisas que acontecem são para nós importantes de uma forma brutal, mas o mundo segue, continua e ninguém para além de nós sente essas mesmas coisas...
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Por vezes custa tanto encarar o mundo que sorri, vibra, dança e canta enquanto nós vivemos a dor da perda. A minha mãe sempre me disse que só se perde verdadeiramente aquilo que é impossivel voltar a ter... Às vezes essas coisas acontecem...
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Faz confusão não saber que queria uma coisa até um dia descobrir que se tem.... Para dias depois ela desaparecer, sem aviso, sem culpas, só porque sim.
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Sei que o que escrevo não tem nexo, não é coerente... A vida nunca o é... Mas se alguma vez me retratei, foi agora... Welcome to the real me... Vejo sol, quero chuva; vejo alegria, quero mau humor; vejo praia, quero neve; vejo o calor, mas sinto o frio. Isso ninguém pode mudar.
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E desse lado do mar? O mundo continua a girar tão injustamente como aqui?

SBFR